01/07/2010
Despesa total em investigação atinge 1,55% do PIB em 2008 e envolve mais de 75.000 investigadores
A despesa total em I&D em Portugal ultrapassou 2.585 MEuros em 2008, passando esta a representar um máximo histórico de 1,55% do PIB nacional. A informação refere-se aos dados finais do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (IPCTN) referente a 2008. Estes dados são publicados com uma periodicidade anual e divulgados pelo Gabinete de Planeamento e Estatística, GPEARI, do MCTES. Os dados preliminares tinham sido publicados em Novembro de 2009.
O valor agora divulgado da despesa nacional em I&D supera os níveis registados em Espanha (1,35% do PIB), Itália (1.19%) e na Irlanda (1,43%).
O crescimento da despesa em I&D verifica-se quer no sector público quer no sector empresarial. No sector das empresas esse aumento é particularmente expressivo, já que a despesa nesse sector quase que triplica desde 2005 (a preços correntes) e cresce 28% entre 2007 e 2008, com cerca de 1.295 MEuros em 2008 (era 1.011 MEuros em 2007 e apenas 462 MEuros em 2005). A despesa em I&D das empresas atinge agora cerca de 0,78% do PIB (era 0,62% do PIB em 2007), representando cerca de metade da despesa nacional total em I&D. Os dados voltam ainda a mostrar um acréscimo contínuo em Portugal do número de empresas com actividades de I&D, que passou de cerca de 940 em 2005, para cerca de 1.900 em 2008.
A despesa do conjunto das instituições públicas e privadas sem fins lucrativos assume o papel de indutor do crescimento nacional e cresce cerca de 75% (a preços correntes) entre 2005 e 2008, passando de 739 MEuros para 1.290 MEuros respectivamente. Esse crescimento é de 34% entre 2007 e 2008. O conjunto dos sectores do Ensino Superior e das Instituições Privadas sem fins lucrativos representa cerca de 1.101 MEuros em 2008 (era 778 MEuros em 2007), representando 43% da despesa nacional total em I&D.
Mas o aumento global do investimento em I&D reflecte também a prioridade política ao desenvolvimento científico e tecnológico e cumpre metas fixadas:
· O número total de publicações científicas referenciadas internacionalmente quase que duplicou desde 2004, tendo sido registadas em 2009 cerca de 703 publicações científicas por milhão de habitantes;
· O número de patentes Portuguesas publicadas no Gabinete Europeu de Patentes mais que triplicou face a 2004, enquanto o número de patentes registadas no Gabinete Norte-americano mais que quadruplicou;
· Foram registados em 2008 cerca de 1.500 novos doutoramentos, representando um aumento de cerca de 50% face a 2003, com 51% desses doutoramentos realizados por mulheres, uma das percentagens mais elevadas de toda a Europa;
· Foram realizados cerca de 4,5 novos doutoramentos nas áreas de ciência e engenharia em cada dez mil habitantes entre os 25-34 anos, tendo-se atingindo a média europeia neste indicador.
Elemento fundamental da estratégia seguida para o desenvolvimento científico e tecnológico em Portugal é o reforço dos recursos humanos em Ciência e Tecnologia. O número de investigadores no sistema de I&D ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 75.000 investigadores (representam 40.408 investigadores ETI), com cerca de 43% mulheres, uma das percentagens mais elevadas na UE. Entre 2007 e 2008, o número de investigadores, cresceu 46%, tendo praticamente duplicado desde 2005.
Particularmente relevante foi o crescimento do número de investigadores no sector Empresas que praticamente triplicou entre 2005 e 2008 tendo, atingido mais de 18.000 investigadores (cerca de 10.312 investigadores ETI) em 2008. Do total de investigadores do sistema de I&D, 62% são investigadores baseados no sector do ensino superior (mais de 46.000 investigadores), 24% são investigadores no sector das empresas, enquanto os restantes 14% fazem investigação nos sectores Estado e IPFSLs.
O número de mulheres a exercerem actividades de investigação ultrapassou 32.000 e praticamente duplicou desde 2005. O peso das mulheres na prática de investigação é particularmente significativo no sector estado, no qual representam cerca de 61% do total de investigadores, representando 30% do total de investigadores nas empresas.
O número de estrangeiros no sistema de I&D Português quase que duplicou desde 2005, tendo aumentado 47% entre 2007 e 2008, e atingindo neste último ano os 4.015 investigadores. Destes estrangeiros, 48% são provenientes de outros países da União Europeia (juntamente com os restantes países da OCDE somam 55%). Os restantes 45% são investigadores provenientes de países de fora da OCDE. Da totalidade de investigadores estrangeiros no sistema, mais de 72% encontram-se no Ensino superior.
O inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (IPCTN) é uma operação censitária de periodicidade anual desde 2007 (era bienal desde 1982), que constitui a base de informação estatística oficial sobre recursos humanos e financeiros afectos a actividades de I&D em Portugal.
MCTES, 01 de Julho de 2010